quarta-feira, janeiro 26, 2005

Doc. Jekyll and Mr. Hyde

Eu viajo com certas coisas que vejo na internet... é incrível como, em determinados casos, acabo lembrando do livro "A estranha relação entre o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde", ou o Mèdico e o Monstro, em outra versão.

O frágil e simples Dr. Jekyll, um típico médico-gentleman inglês, tinha uma grande obsessão: expurgar de seu ser todo o mal que havia em seu coração e em sua alma. Após muito pesquisar, conseguiu chegar em um extrato singular, para atingir seu objetivo. Bem, quem leu o livro sabe bem o que aconteceu: ao invés de expulsar seu lado maligno, ele o fez aflorar, saltando para o mundo exterior o alter-ego do Dr. Henry Jekyll, o Sr. Edward Hyde.

Hyde era um assassino, sociopata, estuprador, tudo de ruim que uma pessoa pode ser. No fim do livro, o Dr. Jekyll, vendo que nada poderia fazer para controlar seu lado mal, comete suicídio, como única forma de livrar o mundo do famigerado Hyde.

O extrato do Dr. Jekyll é algo como a internet: livre de todo pudor e grilhões sociais, as pessoas tendem a fazer tudo aquilo que sempre teve vontade, mas nunca pôde (digo grilhões sociais tudo aquilo que tolhe nossos atos mais nefastos, como urinar no muro do vizinho quando ninguém está olhando, por exemplo).

Pedro Bial, certa vez falando de acusações num Chat da Globo.com, a respeito da verassidade do BBB, disse que a internet criou uma nova legião de covardes, os covardes virtuais, que usam a segurança de suas casas para agredir, acusar, xingar outras pessoas e desrespeitar outrem das maneiras mais vis possíveis.

Ah! Que saudade de Gregório de Mattos e Guerra. Que saudade de uma época onde esperávamos ansiosos 3, 4 dias por uma cartinha enviada por uma tia ou uma prima de São Luís do Maranhão. Que falta eu sinto de uma época onde as coisas eram mais difíceis, porém mais gostosas, mais proveitosas. Atualmente, como enviar uma carta-virtual é tão simples, podemos ter o despaupério de criar um e-mail novo para xingarmos nosso patrão, criar um perfil no orkut para sair desacatando nossos desafetos, ou até mesmo mandar aquele e-mail com um executavelzinho anexado, capaz de devorar todo o seu HD, até mesmo quando sua monografia de conclusão de curso estiver salvo nos Meus Documentos.

Bem, mas para tudo tem remédio. Se a internet está para o extrato do DR. Jekyll, assim como o facínora virtual está para o Sr. Hyde,... então o suicídio que deu o desfecho da história está para uma falha de conexão. Abaixo Tícios Câmaras e toda sua corja de covardes virtuais. Pelo menos o Sr. Hyde mostrava a cara. Ele era mais homem... ou mulher...